SONS RECICLADOS

À nossa volta não faltam objectos que podem ganhar uma nova vida, uma nova função. Precisamos de aprender a RECICLAR.

Vamos começar pelo “lixo”!

Retirar do “lixo”, das “lixeiras” os objectos, os materiais que podemos reciclar, quer para a música, quer para outras expressões de Arte.

Juntos vamos “limpar” Moçambique!

Oficina de Música

Em Março de 2019 comecei com a construção da Oficina de Música com Instrumentos criados utilizando a RECICLAGEM de objectos deitados no lixo.

Iniciei com os desperdícios do armazém de ferramentas, com o aproveitamento do vasilhame das garrafas guardadas para outros fins, que nunca aconteceram, e com as contribuições de terceiros que fui encontrando nas pequenas lixeiras que vão acumulando ao longo de certas estradas de Pemba.

Seguiram-se semanas a assimilar os “velhos” objectos na estrutura que culminou como a base de instrumentos de percussão.

Utilizei desde os Capacetes de Protecção para as Obras, os restos de Chapa de Zinco, Pratos e Tigelas de metal, e um tambor de 200 litros, para fazer o “Bombo”.

TIJELAS DE METAL - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

As únicas ferramentas utilizadas, as únicas que dispunha, foram uma catana, uma faca pequena e uma tesoura.

Os “PRATOS DE CHOQUE” e o pedal do “bombo” deram-me algum desafio, mas a criatividade superou as dificuldades técnicas encontradas e terminei a obra.

PRATOS DE CHOQUE - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

O XILO-GARRAFAS com Água foi um processo mais longo. A afinação é mais delicada, funciona com gotas de água até atingir a nota correcta dentro da escala.

XILO-GARRAFAS - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

Os BATUQUES de BALDES DE PLÁSTICO até são simples de se fazer, mas o importante é que ficassem suspensos para obterem o máximo de ressonância.

BATUQUES de BALDES DE PLÁSTICO - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

Mais uma vez o engenho arranjou a melhor solução com os materiais disponíveis.

A estrutura do primeiro conjunto de reciclagem são os restos de uma estante de palhinha que a formiga “Muxã” não conseguiu engolir.

ESTRUTURA DA BATERIA - SONS RECICLADOS by NAMAKOTT

Os XOCALHOS que complementam a viagem da Música.

O XOCALHO-AMPULHETA resulta de 2 garrafões de água, sementes do fruto do Embondeiro, o OLAPA, na língua Emakhauwa, e um tubo metálico que faz a ressonância lembrar a chuva a cair.

XOCALHO-AMPULHETA - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

O XOCALHO-CÔCÔ recebe dentro das suas 2 metades unidas, pedras pequenas, para fazer o ritmo dos Rituais Espirituais.

CÔCÔ - XOCALHO - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

As sementes das Acácias-Rubra do quintal, acabaram por ir parar dentro das embalagens do pó que limpa os sanitários. Mais um XOCALHO de materiais Reciclados para tirar um som idêntico aos XOCALHOS-DE-PERNA feitos de palha.

EMBALAGEM DE DETERGENTE -  XOCALHO - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

De Caixas e de “palitos” de Fósforo usado até ao XOCALHO. Reúni as 10 caixas de Fósforo com corda de pneu e já faz um volume que se destaca entre os “primos”.

As bolachas por vezes vêm embaladas em caixas tubulares com tampa. Algumas sementes de “Mapira” no seu interior e o XOCALHO já está pronto.

As esferas, dos doseadores de algumas garrafas, á solta e dentro de uma garrafa de vidro, faz um XOCALHO com um som mais “metálico”.

BOLINHAS DE VIDRO - XOCALHO  - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

Baldes de plástico, sacos de arroz, cafeteira e panelas fora de uso, uma caixa das bolas de ténis, sementes, pedras, corda de pneu, restos de bambu e garrafas de cores e formatos diferentes que foram guardadas para umas ideias nunca concretizadas.

CAFETEIRA METÁLICA - SONS RECICLADOS by NAMAKOTTO

O CICLONE KENNETH NOS SONS RECICLADOS

Agora temos a “importância” de um Ciclone de nome KENNETH que deu “luz” a um tubo há muito enterrado numa berma de estrada.

Após a devastação causada pelos ventos do ciclone a norte da cidade de Pemba, vieram as grandes chuvas como consequência, que destruíram e inundaram muitas das estradas na cidade e bairros periféricos.

Como de costume, sempre que chove mais do que o normal, a Avenida Marginal Norte de Pemba, no Bairro de Nanhimbe, transforma-se de uma “picada” em terra batida, num leito de um rio que transborda a largura da estrada e que transporta todo o “lixo” deixado no interior do Bairro.

A velocidade e a quantidade da água é tanta que vai escavando a estrada, devolvendo à luz do dia e deixando mais expostos os objectos que ficaram como sedimentos entre as grandes chuvas.

Após a paragens das chuvas vieram as grandes máquinas para refazer e nivelar a estrada.

Desta vez o tubo não escapou aos “dentes” da niveladora e acabou por ser cortado.

Ficou ao abandono, na berma da estrada, empurrado pelas as areias do novo “alcatrão” durante alguns dias até que fosse resgatado para a sua nova função.

Era preciso pelo menos um dos 2 serrotes que havia na casa, mas como algum “ciclone” os levou na “mochila”, teve que ir pedir um serrote emprestado para cortar o tubo com as medidas aproximadas ao tamanho final.

Foi e é tudo um processo!

Demora, e mais demora, mas a perseverança não permite desistir.

Finalmente com o serrote chegou a altura de cortar o tubo e de fazer a afinação de cada nota.

Para referência das notas para construir finalmente a escala musical ia utilizar a Guitarra Eléctrica emprestada por um amigo, o Gondola.

As coincidências aconteceram, o amigo precisou da Guitarra nessa tarde para um compromisso musical! A afinação foi adiada!

O instrumento estava a demorar para sair! Semanas e horas já passadas só em esperas!

Segue a primeira exibição e actuação do XILO-TUBOS.

NAMAKOTTO

Carlitos Miguel Namakotto, nasceu em Murrupula, na Província de Nampula, em 14 de Maio de 1968.

Enquanto estudava na Escola Secundária de Nampula inscreveu-se como Voluntário na CRUZ VERMELHA DE MOÇAMBIQUE.

Um ano depois, em 1987, foi selecionado para integrar no Comité Internacional da CRUZ VERMELHA como Oficial de Campo na área de Medicina, trabalho que se estendeu até ao final da Guerra, em 1992.

Esteve na UNIMOZ desde 92 a 1994 apenas como tradutor.

Em 1994 dá os primeiros passos com o Projecto “Pesquisa sobre Música e Dança Tradicional” que foi apreciado e financiado pelos dinamarqueses abrindo-lhe as portas para trabalhar no Museu.

Durante este período, sempre que regressava das missões no Mato, trazia consigo instrumentos dessas localidades.

Iniciou a Exposição de Instrumentos no Museu e paralelamente sensibilizava os seus visitantes com workshops e performances com os instrumentos restantes.

Aos poucos conquistou o número suficiente de interessados e criou a “CASA VELHA”.

A ASSOCIAÇÃO CULTURAL DA CASA VELHA é o primeiro legado deixado pelo seu único fundador, Carlitos Miguel Namakotto.

Aceita o convite da UNESCO em 1999 e vai para a cidade da BEIRA coordenar o Centro Juvenil da Manga até 2001.

Nesse ano vai para Maputo, para integrar um novo projecto e inscreve-se como aluno na Universidade Eduardo Mondlane em Arqueologia e Antropologia.

É novamente convidado para fazer parte da equipa italiana que liderava o projecto CCS (Centro di Coperazione Sivilupo).

Aproveita as oportunidades dos intercâmbios Culturais e viaja até à Europa, onde frequentou algumas Associações de Estudantes e aprofundou a Antropologia Cultural.

De regresso a Maputo, dá os primeiros passos com objectos RECICLADOS enquanto Coordenador Cultural do Bairro Fomento.

O lado artístico nunca o abandonou e a preferência pelo Reggae nunca esmureceu.

Ao longo da sua vida participa e cria novos projectos. Partilha o seu conhecimento sobretudo nas camadas mais jovens.

NAMAKOTTO torna-se numa referência estimada e conhecida em diversas Províncias de Moçambique.

Em 2018 decidiu ir viver na Província de Cabo Delgado, escolheu o Bairro de Nanhimbe da cidade de Pemba.

Os “SONS RECICLADOS” era um projecto que queria fazer há algum tempo, mas só em Março de 2019 o consegue concretizar.

A Oficina dos Sons Reciclados surge à sombra de um Embondeiro, um dos maiores de Nanhimbe.

Recolhe os materiais que vai descobrindo nas suas caminhadas pelos Bairros de Pemba e materializa o projecto.

Através das Redes Sociais começa a partilhar o conceito com a apresentação de alguns videos utilizando os seus novos instrumentos.

Em Maio de 2019 é convidado a subir ao palco da BAÍA DO JAZZ – PEMBA-MOZ para acompanhar na percussão uma das vozes de Pemba, Carla Mateus.

Há o reencontro com músicos de Maputo que foram convidados para a BAÍA DO JAZZ e o encontro com BHOLOJA, do Reino de Eswatini, cabeça do Cartaz do Evento, com quem estabelece proximidade pela partilha dos SONS RECICLADOS.

O projecto saí finalmente do Embondeiro e começa a percorrer os Bairros de Pemba.

FORMAÇÃO

Dou aulas aos mais pequenos a partir dos 4 anos de idade até á idade que tu aguentares!

Através das Artes podes aprender muito.

Com o projecto SONS RECICLADOS temos disponíveis vários instrumentos que foram construídos na OFICINA DE MÚSICA para tu experimentares e que podes aprender a tocar.

Na página MARCAÇÕES tens um Formulário Online para fazeres a Simulação e/ou a MARCAÇÃO/PAGAMENTO da tua aula.

No MENU selecciona FORMAÇÃO e escolhe a aula que pretendes.

AULAS DE CANTO,
AULAS DE BATUQUE,
AULAS DE CHITATA,
AULAS DE DANÇA TRADICIONAL,
AULAS DE EMAKHUWA,
AULAS DE FLAUTA DE BAMBU,
AULAS DE GUITARRA,
AULAS DE MARIMBA,
AULAS DE TEATRO
ou de
SONS RECICLADOS.

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